domingo, 5 de outubro de 2014

In the land of Samuel Beckett and Oscar Wilde: No alto da montanha, pertinho lá do céu…

Não há castelinho, nem lenda sobre um rei que lá tivesse vivido. Mas de lá se vê o céu, se vê a terra, ao longe (mas não muito longe) o mar.

Bray.
Cidade costeira situada a cerca de 20 km a Sul de Dublin, onde o escritor James Joyce passou parte da infância.

Depois de ter ouvido duas ou três pessoas elogiarem a região, eu e uma colega de trabalho decidimos vê-la com os nossos próprios olhos antes que o advento das chuvas irlandesas impossibilitem passeios regulares. Apanhámos o comboio e cerca de 45 minutos depois chegámos à estação de Bray, que não fica longe da praia. Para lá nos dirigimos, para encontrarmos muitas pessoas a gozarem do passeio à beira mar.

O dia não podia ser mais cúmplice da nossa curiosidade estrangeira: o frio e o vento não chegaram para anular o conforto do céu limpo, de um azul que me enche sempre de uma alegria difícil de explicar. Quando falo de frio refiro-me a cerca de 8 graus Celsius, o que, na minha referência portuguesa, está mais para Inverno do que para Outono. Claramente nós, Portugueses, somos uns mimados quanto ao clima.

A praia era bonita, rochosa, com mais pedras do que areia. O mar plácido, com tonalidades azuis esverdeadas. Várias famílias com crianças e cães a tentar caçar gaivotas. A felicidade que os cães demonstram quando podem correr à solta e brincar com os donos parece-me tão pura, tão ingénua, tão cheia de infância, que uma pessoa que não sorria distraidamente ao vê-los deve já ter perdido todo o contacto com estas realidades internas.

Da praia avistava-se um monte ou montanha (quem perceba de geologia que me diga se há diferença) e descobrimos que havia um trilho delineado para subir ao topo. Gostava de lhe chamar montanha, no entanto, para condizer melhor com a canção, e porque montanha me soa a algo maior e assim posso gabar-me mais da nossa façanha pedestre. Montanha será, doravante.

Depressa percebi que, quando parti de Dublin, eu não sabia ao que ia. Se soubesse que ia numa expedição montanha acima tinha levado a minha mochila com provisões. Assim, tive de fazer-me ao caminho apenas com a bolsa da minha máquina fotográfica com o essencial, o que não incluía água ou comida.

(Quem me conhece, sabe que andar alguns poucos quilómetros com fome e sede não é bem o meu forte, e que me queixei um bocadinho da minha falta de previdência à vinda para baixo.)

O percurso montanha acima era pelo meio do bosque. Literalmente. Havia uns trilhos humanos, mas pouco definidos. Tínhamos de ter atenção ao sítio onde colocávamos os pés, porque seguíamos por entre raízes, rochas e folhas húmidas, e por vezes em terreno bastante inclinado. Havia muitas amoreiras ao longo do caminho (e sim, à vinda para baixo socorri-me das amoras silvestres, que eram bem boas, por sinal). O cheiro da terra húmida, fetos, bosque cerrado. Por vezes, chegávamos a uns patamares mais abertos de onde já se tinha uma vista muito bonita e depois embrenhávamo-nos novamente no bosque. A dada altura, senti-me n’O Senhor do Anéis, prestes a chegar ao Shire.

O topo da montanha era feito de rocha e arbustos. De lá a vista era lindíssima! Sobre o mar, a cidade, e os terrenos circundantes. O azul e o verde em harmonia natural.

Ao descermos a montanha, encontrámos uma saída: um portão fechado a cadeado. Apesar de eu já só pensar em comer, concordámos que se calhar não era de bom-tom trepar ao portão, não fosse ilegal ou algo assim, e decidimos procurar outra saída. Pouco tínhamos andado bosque adentro quando vimos um Golden Retriever a correr na nossa direcção todo entusiasmado. Seguiam-no um casal com uma filha pré-adolescente. Perguntei se conheciam a saída e indicaram-nos o dito portão: “é mesmo para saltar!”, disseram-nos. Recordei então que estou na Irlanda e não na Alemanha ou assim. Parece que o facto de um portão estar fechado a cadeado não é motivo para que não se o transponha. Parece também que as pessoas são de uma simpatia e disponibilidade para ajudar louváveis: depois de nos perguntarem o que estávamos a fazer na Irlanda e para onde queríamos ir no momento, ofereceram-nos boleia! Até agora, todos os irlandeses com quem me cruzei são extremamente prestáveis e simpáticos, não há dúvida.


Almoçámos por volta das quatro e tal da tarde e regressámos a Dublin com muitas fotografias na bagagem digital.



















sábado, 6 de setembro de 2014

In the land of Samuel Beckett and Oscar Wilde: Piadas irlandesas, Guinness e Mar

A criatividade palavreira foge-me. Ou então é a preguiça de escrever que me assalta. Seja como for, não vou dissecar a experiência de ter assistido a um espectáculo de Stand-up Comedy no primeiro pub a que fui, The International Bar. http://www.international-bar.com/history/

Lotação esgotada, ou assim parecia. Três comediantes; ou quatro, se contarmos com o “apresentador”. Um jovem nervoso com as piadas escritas num caderno – algumas aproveitavam-se. Um quase quarentão gorducho com um sotaque mais forte e piadas melhores. Um trintão gay, com um sotaque fortíssimo e um débito de palavras por segundo difícil de acompanhar, mas hilariante! O apresentador, senhor de meia-idade capaz de manter a audiência atenta. Resultado: boa noite de riso.

A maior surpresa da noite foi, no entanto, o facto de eu ter conseguido beber uma Guinness inteira sem fazer muitas caretas. Eu, ferrenha depreciadora de cerveja. A verdade é que não cheira tão mal quanto as cervejas a que já tive acesso, tem uma espuma muito suave e não sabe muito mal. Dizer que gostei da Guinness seria um exagero, mas achei suportável. Já o sabor que fica na boca após acabada a bebida necessita ferozmente de ser anulado por um qualquer meio (nota mental: pedir uma Guinness apenas e só se tiver pastilhas de mentol comigo).

Entretanto, hoje fui a Howth, um subúrbio de Dublin, agora mais activo e residencial, mas que mantém ainda as suas origens piscatórias e portuárias.

Restaurantes com peixe fresco, mercado de produtos marítimos, barcos, gaivotas, leões marinhos (creio eu), cheiro e vento de mar. Foi um óptimo passeio de Sábado à tarde! Aqui ficam imagens do dia.






























terça-feira, 2 de setembro de 2014

In the land of Samuel Beckett and Oscar Wilde: Grand Canal ou a impossibilidade de um mundo a preto e branco

Hoje passeei ao longo do Grand Canal antes de me embrenhar novamente no centro da cidade. Deixo-vos algumas imagens.




Estátua em homenagem ao escritor Patrick Kavanagh


Fitzwilliam Hall



Igreja Metodista